O que é Cibercultura?

Muito se fala sobre cibercultura. Mas afinal, o que é a cibercultura?

cibercultura

O que é cibercultura?

A cibercultura, acrônimo da palavra cibernético, do inglês cybernetic, com a palavra cultura, é a ― cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais e pode ser compreendida como ― a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70 (LEMOS, 2003, p. 1).

Com o advento de novas tecnologias e das relações da arte pós-moderna herdadas das décadas de 1960 e 1970, surge à necessidade de novas formas de relações sociais adequadas a estas mudanças. Conforme explica Levy (1999, p. 125), através do movimento social californiano ― Computers for the People, os computadores deixaram de ser exclusividade de cientistas e estatísticos, foram barateados e levados ao alcance de pessoas comuns. Este movimento não fora previsto ou decidido por governos ou multinacionais, mas nasceu de um movimento visando a ― reapropriação em favor dos indivíduos de uma potência técnica que até então havia sido monopolizada por grandes instituições burocráticas (LEVY, 1999, p. 125). Os atores deste movimento foram jovens que exploraram a rede como um espaço de encontro, compartilhamento e de construção coletiva.

Levy (1999, p. 127) reforça três princípios que proporcionaram o crescimento do ciberespaço: a interconexão, a criação das comunidades virtuais e a construção da inteligência coletiva. Estes três princípios estão inter-relacionados. A interconexão das pessoas, por meio da rede, possibilita a formação de comunidades virtuais, grupos de pessoas com objetivos comuns que interagem por meio da rede trocando informações, compartilhando ideias e conteúdos. Esta troca em rede resulta na construção da inteligência coletiva.

A cibercultura propaga um movimento sociocultural, uma forma de comunicação não midiática (LEMOS, 2003, p. 4), interativa, comunitária, transversal e rizomática, pautada por dois princípios essenciais: a autonomia dos usuários e a alteridade (LEVY, 1999, p. 132). Lemos (2005a, p. 2-3) propõe que a cibercultura é fundamentada em três leis: a liberação do polo de emissão, a conectividade e a reconfiguração.

Devido à democratização do polo de emissão, graças à web, qualquer pessoa pode: criar, compartilhar e consumir informações por meio da rede. Esta possibilidade atende a ― emergência de vozes e discursos, anteriormente reprimidos pela edição da informação pelos mass media (LEMOS, 2003, p. 2). Com o advento de novas tecnologias de produção de conteúdos, como os computadores pessoais (PC) e as câmeras portáteis, e também da ascensão da rede, os usuários deixaram de ser meros espectadores das mídias e tornaram-se prosumers (TOFFLER, 1980), produtores e consumidores das informações.

A rede está em todos os lugares, conforme cita Lemos (2003, p. 2) ― tudo comunica e tudo está em rede. A segunda lei da cibercultura é o princípio da conectividade generalizada. Esta nasce da conexão dos computadores pessoais (PC) à rede, transformando-os em computadores conectados (CC). Graças à internet e à web o mundo está interconectado em links de hipertexto. Estas ligações semânticas tecem conexões globais de conteúdos hipermídia. As tecnologias de transmissão democratizam o acesso às informações, permitindo que qualquer usuário conectado à rede possa criar, compartilhar e consumir informações a partir de qualquer ponto da rede.

FONTE

BODRUK, Thiago.Mobile Marketing: Interações e Convergência. Curitiba, 2011. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/67001935/bodruk-mobile-marketing>.

REFERÊNCIAS

LEMOS, André. CIBERCULTURA. Alguns pontos para compreender a nossa época. In: LEMOS, André; CUNHA, Paulo (orgs). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003.
______. CIBER-CULTURA-REMIX. In: Sentidos e Processos. São Paulo, 2005a.
LEVY, Pierre. Cibercultura. 1. ed. São Paulo: 34, 1999.
ROSNAY, Joel. O homem simbiótico. Petrópolis: Vozes, 1997.
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. 16 ed. Rio de Janeiro: Record, 1980.

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